quinta-feira, 14 de março de 2013

Este Mundo das Trevas Mortal - O Açude - Aventura

Fala galera! 

Estou trazendo hoje para vocês uma aventura que eu montei para jogar com minha turma, baseada no capítulo: O Açude do livro Lugares Misteriosos, Novo Mundo das Trevas. Da White Wolf e produzido no Brasil pela Devir Editora! A aventura original foi feita para o sistema storytelling, porém, neste post eu adaptei-a para meu querido Este Corpo Mortal!
Para o completo entendimento da aventura, é necessário ter em mãos ambos os livros utilizados, por questões de regras e cenários.

Espero que gostem!


O Açude - Este Corpo Mortal

Breve Sinopse da Aventura:


“O açude” foi criado acidentalmente após um empresa que fazia escavações no local para extrair minérios por volta de 1950 ter se deparado com uma caverna subterrânea no fundo da pedreira, abrigando-a a encerrar suas atividades.
A pedreira que acredita-se ter entre seis e oito andares de profundidade aos poucos foi sendo preenchida de água que as pessoas da cidade próxima começaram a usá-la para nadar, apelidando-a de açude.
Por anos, a população desta pequena cidade frequentava o local para se divertir nas horas de lazer, contudo, hoje ninguém mais vai ao açude. Alguns dizem que por ser perigoso, afinal suas águas, são cristalinas na superfície e muito escuras no fundo, não sendo possível enxergar seu fundo. Outros dizem que o caminho é muito longo, entre outras desculpas. Mas o real motivo das pessoas terem abandonado o lugar, é que ele é poderoso demais para ser desperdiçado com pessoas se divertindo.
Mesmo que não toquem no assunto, a população da cidade sabe que o lugar guarda algum tipo de magia muito forte e por essa razão temem e respeitam o lugar.
Recentemente, uma nova empresa comprou o açude e pretende drená-lo para retomar as escavações de minérios. A população está assustada com o fato e alguns já falam em impedir a empresa de se instalar na cidade.

Cenário:

O cenário é uma cidade pequena e pacata qualquer que abrigue uma pedreira inundada em algum ponto próximo.O nome e demais características da cidade varia de acordo com a necessidade do grupo.

Clima:

O clima é sempre muito sombrio. A todo momento, os personagens devem ter a sensação de que não são muito bem vindos ali e que várias pessoas na cidade conhecem muito mais a fundo a história sombria por trás do açude.

Magia:

O cenário é de magia baixa e todos os fatos mágicos são ligados aos pedidos feitos e concedidos pelo açude.

O Açude:

Reza a lenda, que quando você despejar algumas gotas de sangue no açude e fazer algum pedido, este lhe será atendido, porém, este poder tem um preço e o açude sempre irá cobrá-lo. 
A magia do açude é imprevisível. O açude tem vontade própria e lhe concederá o desejo quando e como ele desejar e vai cobrar seu preço pelo desejo concedido. 
Em termos de jogo, sempre que alguém pedir algo para o açude, deve despejar algumas gotas do próprio sangue e pedir em voz alta e clara. O açude pode ser literal ao extremo com o pedido, portanto, é necessário pensar muito bem antes de pedir algo para o açude.
A origem dos poderes do açude são desconhecidas, ficando a cargo de cada grupo escolher sua própria origem.

Lendas locais:

Algumas lendas contadas sobre o açude:

- Um adolescente após descobrir que sua namorada o traiu, colocou-a no carro e se jogou no açude, matando ambos.
- O açude não tem fundo.
- A empresa parou as obras porque encontrou "algo sobrenatural" na pedreira.
- Crianças desapareceram no açude e nunca mais foram vistas.
- Bagres gigantes nadam no açude.


Pistas:

Algumas pistas para os personagens entenderem o que está acontecendo:

- Poema na caverna: do outro lado do açude, no paredão, existe uma pequena caverna na qual os PJ só podem entrar engatinhando.

No fim da caverna existe um poema entalhado em pedra, tido por muitos da cidade como uma profecia:

"Vem nestas águas um desejo sangrar
Que teus sonhos secretos hei de realizar
Mas se a água secar por alguma maldade
Não farei muito caso em matar a cidade."

Na caverna, também pode ser encontrado um crachá de uma empresa, com um nome borrado do qual os personagens só conseguirão ler: Ed### #####ale.

- Com um pouco de pesquisas, os personagens descobrem que as lendas locais não são verdadeiras, exceto o fato dos trabalhadores terem realmente encontrado algo na pedreira.

- Procurando os npc’s que fizeram pedidos à fonte, os personagens podem descobrir que a fonte realiza desejos.

- Eddie pode contar toda a história que sabe sobre o açude, porém, estará com medo e ameaçado por Edith.

- Nos jornais locais, existirão algumas matérias antigas contando casos estranhos (a maioria falsos) que ocorreram no açude.

A nova empresa:

A empresa que recentemente se instalou na cidade, pretende drená-la totalmente para retomar as escavações. O fato é que isso afetará diretamente as forças que agem sobre o açude. 
Conforme suas águas sorem recuando, os efeitos dos pedidos serão maximizados. Primeiramente, os pedidos não precisarão mais ser feitos em voz alta. No próximo passo, a fonte não exigirá mais o sangue como pagamento. Posteriormente, as pessoas poderão fazer seus pedidos sem mesmo ir até a fonte e em última instância, a fonte atenderá até mesmo pedidos inconscientes das pessoas, como pensamentos inapropriados em horas de forte tensão. O temor por esses efeitos pode jogar a população da cidade contra a empresa.
Chegando ao ponto dos desejos inconscientes, o caos estará instaurado na cidade. A cada dia de drenagem, pelo menos um efeito em maior escala ocorrerá na cidade. A seguir, listarei algumas possibilidades:

- Pessoas sentem saudade de entes mortos a todo o tempo. Um desejo inconsciente de que um ente querido retorne dos mortos, pode realmente trazê-lo. Da maneira que o grupo julgar mais "adequado".

- Quem em uma briga já não desejou por impulso que uma pessoa sumisse ou morresse? Nem precisa explicar a aplicação desses desejos inconscientes na história neh?!?!

- Os pesadelos que temos quando crianças são sempre muito assustadores. Alguns até nos acompanham até a idade adulta. Pesadelos inconscientes também podem ser ativados pelo açude.

Existe uma infinidade de ideias para estes efeitos. Listei apenas essas três para dar uma ideia do que pode ocorrer.

Alguns pedidos feitos ao açude:


- EDDIE LANSDALE: Eddie após ler o poema na caverna, "sangrou" no açude e pediu um carro novo. Seu pedido foi atendido às custas saúde de seu pai que deixou o carro da ele. Outro pedido feito por Eddie e atendido pelo açude, foi o de ter sua amada Edith de volta. O açude atendeu da pior forma possível.

- CATHY CAHILL: sempre foi muito feia e pediu para ser a mulher mais linda da cidade. Teve seu pedido atendido após um grave acidente, no qual passou por várias cirurgias e plásticas, se tornando uma linda mulher por fora. Hoje ela sofre de dores constantes devido aos inúmeros pinos colocados em seu corpo.

- HAROLD JONES: perdeu seu cão (RASCAL) e foi ao açude pedi-lo de volta. O pedido foi atendido, de maneira muito bizarra. O cão foi espancado e morto por um garoto vizinho de Harold e retornou de baixo da terra, faltando um olho e parte da perna. Harold teve um surto e espancou o garoto (STEVIE) até a morte, sendo preso após o fato.

- DAN PENDERCHECK: passando dificuldades, pediu um milhão para a fonte e recebeu o dinheiro de uma apólice de seguros após sua casa ser totalmente consumida por um incêndio, matando sua mulher e filhos.

NPC's Indicados:


- EDDIE LANSDALE:
FORÇA: 1, GRACIOSIDADE: 2, VONTADE: 2, SAGACIDADE: 2
Velho: 3, Louco: 2, "Faz Tudo": 2
Medo: Da Edith matá-lo (4)/ Amor: Pela Edith (1)
Reserva de Ação: 5
Reserva de Paixão: 2.

Histórico: Eddie não era um cara esperto. Só concluiu o ensino médio devido à ameaças vindas do pai. Também não era popular, vestia-se mal, tinha os ombros caídos e o rosto coberto de crateras produzidas por acnes antigas.
O poema na parede da caverna deixou-o aterrorizado. Por muito tempo ele evitou a pedreira, porém, ela sempre estava em seus sonhos.
Eddie morava com o pai e nunca tinha um tostão no bolso. Ninguém gostava realmente dele. As garotas nem olhavam em sua direção e agiam como se ele não existisse. Com aquela pele oleosa e as solas dos sapatos sempre descolando, Eddie sabia que tinha de vencer o medo e voltar à pedreira.
Por isso, decidiu seguir as instruções do poema, cortou a palma da mão com um canivete, deixou o sangue pingar na água e fez um pedido. Era um pedido simples, sem muito detalhe ou ostentação. Eddie pediu um pouco de dinheiro.
Nada aconteceu. Nenhum dinheiro caiu do céu nem apareceu boiando na água. Desapontado (e com a mão cortada), Eddie voltou para casa.
Dois dias depois, o pai de Eddie despertou o jovem ao meio dia e contou-lhe que uma Tia havia falecido, deixando para ele uma lata cheia de dinheiro. Não era uma grande fortuna, apenas algumas centenas de dólares, mas certamente se qualificava como “um pouco de dinheiro”. O desejo de Eddie se tornara realidade.
Eddie voltou à pedreira no dia seguinte, reabriu o corte da mão e, mais uma vez, pediu dinheiro. Assim como antes, nada aconteceu de imediato. Só que, dessa vez, nada aconteceu mesmo. 
Eddie voltava ao açude pelo menos uma vez por mês. Pediu várias coisas, inclusive uma namorada. Nenhum desses desejos se realizou. Depois de voltar ao açude e fazer pedidos durante um ano sem que nenhum deles fosse atendido, ele já estava a ponto de desistir, convencido de que o primeiro desejo fora apenas um golpe de sorte. Eddie foi até a água, cortou novamente a mão (que mal havia cicatrizado) e deixou o sangue pingar e pediu uma coisa muito específica: desejou em voz alta possuir um Packard Super Eight Convertible 1948 — azul metálico, com interior azul.
Duas semanas mais tarde, o pai de Eddie foi à cidade e voltou para casa dirigindo aquele mesmo carro. O automóvel, porém, não era para Eddie — seu pai o comprara para si mesmo.
Na semana seguinte. Seu pai estava trocando umas telhas quando escorregou e caiu, danificando a espinha e vindo a ficar preso numa cadeira de rodas. Por causa disso, Eddie ficou com o carro, seu pai sofreu e o rapaz estava feliz.
Alguns anos mais tarde, a vida de Eddie havia mudado completamente. Ele passou a tomar conta dos negócios do pai, mantinha o velho no andar superior da casa e arranjou — mas depois perdeu — uma namorada. O nome da moça era Edith Brown. Ela era a filha do diretor do colégio. O relacionamento entre ela e Eddie durou cerca de seis meses, mas ela rompeu com o namoro porque ele era “meio bobo” e não tinha “futuro”. A garota acabou mudando para a cidade grande e deixou Eddie para trás, sozinho, com o negócio do pai e o carro de luxo.
Tempos depois, Eddie voltou ao açude, cortou-se mais uma vez e pediu para Edith voltar e ficar com ele para sempre.
Dez dias depois, Edith voltou. Com as pupilas dilatadas, fitando o vazio, ela estava à espera de Eddie logo de manhã. Edith deu-lhe uma surra com a frigideira até deixar o rapaz sangrando e com o corpo coberto de hematomas. Em seguida, com um beijo na bochecha, disse a Eddie que fosse trabalhar e prometeu que o jantar estaria pronto quando ele voltasse.
Eddie tentou contar às pessoas o que tinha acontecido, mas ninguém acreditou nele. Ao chegar em casa, ele foi saudado com o jantar, um beijo na bochecha e outra surra por tentar contar aos vizinhos que ela tinha voltado. Naquela mesma noite, Eddie encontrou seu pai no quarto de cima, estrangulado com o fio do abajur.

Eddie ainda está vivo e hoje é um homem de idade. Não fala mais de Edith e vendeu o negócio que tinha nos anos 1960. Ele se mantém com o que restou desse dinheiro e com os cheques da previdência social. O cadáver do pai ainda está no sótão, curvado sobre a cadeira de rodas.

Inserção na história: Eddie é a principal fonte de informações para que os personagens fiquem sabendo dos primeiros pedidos e do poema entalhado na caverna. Outras pessoas (muitas outras) viram  o poema e fizeram seus pedidos desde então, mas a história de Eddie continua sendo a primeira e talvez a mais exemplar.

EDITH BROWN:
FORÇA: 5, GRACIOSIDADE: 3, VONTADE: 2, SAGACIDADE:3
Intimidação: 4, Briga: 3, Autômato: 2,
Amor: Estar sempre ao lado de Eddie (5)
Reserva de Ação: 8
Reserva de Paixão: 1.


Histórico: Edith descende de uma boa família da cidade. O pai trabalhava na escola, a mãe era uma dona de casa zelosa. Edith achou que teria um futuro promissor, que se casaria com um homem bom e teria uma penca de filhos. Namorou Eddie Lansdale durante algum tempo, pensando que ele pudesse ser o homem de sua vida, mas descobriu que ele era tolo e insignificante demais. Por isso, ela decidiu se mudar para a cidade grande, onde não faltavam jovens com carreiras promissoras que talvez estivessem dispostos a comprar para ela a casa com cerquinha branca de seus sonhos. É claro que um Eddie Lansdale perdido de amor desejou que ela voltasse e o amasse para sempre. Nesse ponto, as coisas ficaram um pouco confusas para Edith.
Hoje Edith só está meio viva. Ela subsiste. Caminha e conversa, e sua pele, que parecia porcelana, não se alterou apesar da idade. Ela não respira, embora de vez em quando coma a carne crua que Eddie lhe traz do mercado (se ele não traz a carne, ela tenta comer o próprio Eddie). Ela também tem uma força sobrenatural e é dominadora. Eddie tenta escondê-la o melhor que pode. Todas as janelas da casa estão protegidas por cortinas pesadas, e ele mantém mais de um tipo de tranca e fechadura nas portas. Já faz um bom tempo que ele vive assim, mas de quando em quando as pessoas imaginam ver alguém acompanhá-lo quando ele sai de casa para apanhar a correspondência na caixa do correio. Algumas até dizem ter visto o “fantasma” de Edith rondando a propriedade tarde da noite.

RASCAL: O cão "retornado"
FORÇA: 1, GRACIOSIDADE: 4, VONTADE: 1, SAGACIDADE: 0
Morder: 3, Intimidar: 2
Dever: Proteger minha dona (Kaylie Jones) (5).
Reserva de Ação: 7
Reserva de Paixão: 1

Histórico: 
Rascal é um cão de competição da raça Rat Terrier, criado por um casal apaixonado que não pode ter filhos. Certa vez, Rascal subiu por alguns dias e seu dono Harold, já desesperado resolveu ir até o açude, sangrar em suas águas e pedir seu cão de volta. Duas semanas mais tarde, o animal correu na direção deles, mancando e ganindo, perseguido pelo filho dos vizinhos que moravam do outro lado da rua. Rascal estava vivo, mas um de seus olhos havia sido arrancado e o tendão de sua pata esquerda traseira havia sido cortado e grosseiramente costurado. O animal estava todo marcado por queimaduras feitas com um ferro de solda. O filho do vizinho — um adolescente com dificuldades de aprendizagem chamado Stevie — tinha levado e torturado o cãozinho. Ao perceber o que acontecera, Harold entrou na garagem, pegou uma pá e espancou Stevie até a morte. Harold está preso, à espera de julgamento. Corre à boca pequena que ele ameaça “revelar” o segredo da cidade se ninguém o ajudar.

Personagens Jogáveis:

Algumas possibilidades para personagens dos jogadores. Podem ser facilmente alteradas:


- Um personagem trabalhador da nova empresa [P1]
- Um personagem adolescente morador da cidade (cerca de 16 anos). Único personagem que conhecerá a cidade. Ele narrará todos os pontos necessários da cidade. [P2]
- Um personagem que perdeu o cônjuge. [P3]
- Se houver mais um personagem, será segurança da empresa. [P4]
- Quaisquer personagens de ambos os sexos.

Prólogos dos personagens:

- PRÓLOGO DO TRABALHADOR (E DO SEGURANÇA) DA EMPRESA: No terceiro dia de trabalho, este personagem chegará à pedreira e encontrará uma mulher morta com os pulsos totalmente rasgados.
- PRÓLOGO DO ADOLESCENTE: Após algumas noites invadindo o açude, repara que (h ou m) vai ao local chorando e corta os pulsos sangrando nas águas do açude.
- Certa noite ele a viu se cortando desesperado(a), quando (h ou m) chega e ele(a) se desespero(a) mais ainda, sangrando até a morte.
- (H ou m) então pega a faca e sai correndo.
- PRÓLOGO DO PERSONAGEM CASADO: Após um mês sem ter notícias do cônjuge, olha na fatura do cartão que foi comprada uma passagem e depois descoberto que ele foi para a cidade do açude.
- Na cidade, o personagem descobre que o cônjuge está preso acusado de matar uma pessoa com quem estava tendo um caso.

Cena introdutória:

Montei uma rápida cena introdutória caso utilizem os personagens indicados acima:

- Todos os personagens estão na delegacia. Cada um pela sua razão. O PJ TRABALHADOR estará prestando depoimentos sobre o corpo que acabara de encontrar. O PJ CASADO está visitando o cônjuge e o PJ ADOLESCENTE está bisbilhotando para ver como as coisas estão após o fato presenciado por ele.

- Esta cena serve para ambientar os personagens e fazê-los interpretar entre si.

- Se o PJ ADOLESCENTE não se manifestar, o PJ TRABALHADOR lembrará de tê-lo visto várias noites nas filmagens das câmeras da empresa.

- Na delegacia uma velha senhora dirá:

"Isso é obra do açude. Com certeza!
A profecia da caverna está se cumprindo."

- Ela não se mostrará cooperativa e não dirá mais nada a respeito do açude.

- Esta cena termina após os PJ conversarem.

Então galera, está aí todo o esqueleto da aventura, bem como uma ideia de ponto de partida para os personagens. É interessante que alguns dos personagens não conheçam a cidade para manter certo clima de suspense no ar.
O personagem adolescente colocado na aventura não deve conhecer os segredos da cidade, que os mais velhos escondem dos mais novos.

Espero que tenham gostado!

Se alguém chegar a jogar, relatem aí!

Até a próxima!!!